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18 de maio de 2012
 
 
Um Pouco de História - Mount Athos Imprimir E-mail
Por Beto Costa   
Um Pouco de História - Mount Athos

Em 1967, cargueiro grego ficou preso num banco de areia.

Saint-Hilaire assinalara que a costa gaúcha era perigosa a pequenas embarcações. Mas o cemitério de mastros que se avolumou desde as viagens dos descobridores também abriga transatlânticos. Em março de 1967, o grego Mount Athos, de 164 metros, naufragou nas proximidades de Mostardas, quando viajava ao porto de Rio Grande carregado de adubo.
Mestre Manoelzinho foi chamado para resgatar os 28 tripulantes e os equipamentos mais valiosos do navio grego. Nenhuma morte foi registrada. Trabalhava para a empresa do especialista em navegação e pesquisador histórico Cary Ramos Valli. O pescador contou em entrevista que o cargueiro foi acossado por ondas e ventos, aproximou-se demasiado da costa e colidiu num banco de areia.
O que sobrou da carcaça do tombadilho do Mount Athos continua exposto à beira-mar, a aproximadamente 15km ao norte do farol da solidão. Nas noites de neblina, as colunas de ferro se erguendo entre as espumas das ondas apavoram eventuais viajantes. Corroídas pela maresia, compõem uma lápide coletiva para náufragos de todas as épocas.

O Mount Athos, foi desmontado pelos irmãos Molet de Porto Alegre e seus restos encaminhados para a siderúrgica Rio Grandense, atualmente Gerdau.

Curiosidades

Primeiro nome: Tobias Lear
1944 – Renomeado para Fort Orange e alugado para o governo holandês.
1946 – Adquirido pelo governo holandês.
1946 – Erasmus
1947 – Blijdendjk – bandeira holandesa
1957 – Transilvania, Ditta Luigi Pittaluga Vapori, Genoa – bandeira italiana
1965 – Mount Athos
Coordenadas Geográficas: 30.31-S / 50.20-W

Conheci o Mount Athos no final da década de 80, em pescaria com meu pai e irmão. Nestes 17 anos que se passaram posso dizer que naquela época ainda era uma aventura chegar até este navio, tanto pela dificuldade de transitar na areia de praia, muitas vezes fofa, como também na completa solidão que por lá rondava, sem contar o verdadeiro inferno que era infrentar a o trecho de Palmares do Sul até o acesso do Farol da Solidão..

Muito relato já se escutou de vários aventureiros e com certeza este navio trouxe grandes alegrias em termos de pesca para muitos pescadores e ainda trará, basta ter paciência e dedicação.

Em minha última investida neste naufrágio, não obtive sucesso na pescaria, mas pra compensar ventava um nordeste que fez o mar baixar muito e revelar partes do navio talvez não conhecidos por muitos. A quantidade de Mexilhões que existem presos aos ferros é impressionante, realmente alimento por ali não falta.

Pescar em navio requer algumas habilidades, já comentado muitas vezes pelos amigos Roberto Furtado, Alessandro Zardo e Marcio Fagundes, em suas bem sucedidas pescarias.
Pescaria de arremesso então, alguns cuidados como onde largar a linha e o sentido da correnteza....
Agora no inverno que se aproxima me dedico à pesca de papaterras, estas criaturas estão nos valos e geralmente os mais graúdos ficam próximos aos navios, estes ricos em alimentos.





Abraços
Beto Costa

Comentários
Meu pai
Escrito por Visitante em 2007-12-04 06:26:41
Acompanhei toda a historia deste navio com meu pai, Cary Valli, desde o encalhe ate o desmanche. Ficou a lembrança destes tempos e hoje vejo meu pai com 82 anos e com perfeita lucidez, ainda comenta deste navio que marcou nossas vidas. 
Marcos Valli 
Jornalista e editor da Globo Nordeste

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