Acompanhe o relato de dois biólogos navegando nas águas da ciência. Reports of two biologist sailing in the waters of science.
Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.
We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.
Dia 15 de agosto ocorrerá a próxima edição do Curso prático de flycasting, no Ninho da Coruja, em Canela. O valor é de R$ 100,00 incluído almoço campeiro e ingresso ao pesqueiro. Iniciará as 10 horas, com prática e correção de casting e a tarde pode-se pescar pelos 3 lagos da propriedade. Não é necessário ter equipamento para o curso. Poucas vagas. Inscrições pelo
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Big Sky. O grande céu se dissolvia em água. Mas isso jamais nos impediu de pescar e não seria nessa manhã escura que seria diferente. Carregamos a Ma’m e seguimos 39 milhas após Ennis, até o acesso público de pesca Three Dollars Bridge, doado por um pescador generoso. Agradeço à ele! Há também uma mosca que recebe este nome, Three Dollar Dip, pequena emerger de mayfly, ou seja um subimago emergente de efemerôptero, um inseto aquático que ocorre esta época e estava emergindo esta época. Esta mosca, lembra, a traços groseiros, uma caddis com as asas cortadas.
Eram 6 horas. Abri a cortina black out da janela do quarto do hotel para ver se o dia clareava. Um esquilo corria sobre os fios do telefone. Rápido e de uma habilidade duvidosa. Escorregava, cambaleava. Como eu, naquela hora matinal depois de umas garrafas de vinho californiano. Ele iniciou a decida do poste, queria chegar a uma grande lixeira. Coberta de neve. Os fios, as árvores, os telhados os carros, a grama, os passeios, o hidrante e o school bus amarelos, tudo estava coberto de branco. 30 centímetros de neve.
Existem expressões sobre as quais não atentamos ao siginificado, não abstraímos um sentido, apenas convivemos, sem questionar. Geralmente acontece com os nomes próprios. No entanto, ao cruzar a ponte sobre o rio Galantin, na saída de Bozeman para a pequena cidade de Ennis, naquela manhã ensolarada, compreendi a dimensão de um nome. De um dia para outro o rio que estava baixo e com águas quase limpas, se tornou um mar de lama. Condição que os pescadores denominam como “chocolate” ou “muddy”. Lembrei na hora, ao ver o rio, do pai do Chicago Blues e idealizador da guitarra elétrica, Muddy Waters, e pela primeira vez compreendi que este não era seu nome, mas uma alcunha, que significa águas lamacentas, barrentas. O rio estava muito mais que isso, parecia uma grossa pasta de paçocaquinha de amendoim que se deslocava lenta e caudalosamente, muito acima do nível do dia anterior. Era o “run off” causado pelo degelo das montanhas.
Estado de Montana, uma semana de viagem por ar e terra. Acampados sentimos pela primeira vez o frio das montanhas. Tomando vinho, na beira do fogo do “ring fire“, e fazendo nosso primeiro churrasco na terra do Tio Sam, experimentamos a temperatura despencar quando o sol se pôs. Isso já eram nove e tanto da noite. A friaca veio de “a'cavalo“, montada em pêlo e escondida no vento, como os índios. As montanhas ao redor estavam nevadas e era de lá que vinha soprando o vento, não forte, mas, trazendo um pouco do gelo sobre nosso acampamento agreste, nas margens do Clearwater River. Nos recolhemos pela madrugada, após drenarmos o estoque.
Parque Nacional de Yellowstone, Wyoming. Palco do Zé Colméia e muitas outras histórias, algumas sangrentas. O sol veio nos acordar de uma noite difícil. As barracas estavam congeladas. Híspidas de gelo. Os sacos de dormir para -16°C não resolveram muito o problema. A previsão informara -7°C. Algo dera errado e nunca saberei qual a temperatura daquela noite, que passei forrando o chão da barraca com as roupas da mochila, panfletos, mapas, sacos estanques, o que achasse.
A primeira pescaria no famoso rio Madison tinha uma aura quase sagrada. O sabor dos momentos especiais. Partimos de Bozeman, onde sediamos nosso acampamento base nos USA, e nos dirigimos à Ennis, uma cidade típica do faroeste, cruzando paisagens bucólicas, campos secos, veados, montanhas nevadas, minas abandonadas, taperas de cabanas de toras, cercas de cavaletes. Noris, Mc Allister e algumas milhas depois Ennis. Poucas casas, e menos pessoas ainda. O comércio, na única rua central, possui as fachadas altas, quadradas, com letreiros serifados.
Na estrada, bisões andavam como as trutas no rio, em cardumes e subindo. Deixamos o Jeep em um pequeno bosque, distante dos gigantescos “bifões”, como eu os apelidara, depois de 3 semanas sem comer carne. Os bisões são ruminantes enormes, com cornos curtos e ombros muito mais elevados que a cabeça, revestidos com uma cobertura de pêlos longos castanhos avermelhados, falhados em manchas. A cabeça é adornada com uma caprichada juba e os machos podem atingir quase dois metros de altura, com mais de três metros e meio de comprimento e cerca de duas toneladas. O que não é assustador é feio.
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Eu contei todos os riscos azuis no mapa. No Estado de Montana existem 79 rios. Inclusive o menor rio do mundo, o Roe, com 61m de comprimento. Uma característica é que todos possuem trutas. Isto é mais que uma boa justificativa para qualquer pescador ir para lá. No Brasil temos a truta arco-íris em diversos estados brasileiros. Mas, em Montana há um mundaréu de trutas diferentes. E antes de ir para a guerra, cabe estudar o inimigo. Quase que me atrapalho, são diversas espécies, alguns híbridos e inúmeras variedades. Afora o bônus extra, outras espécies de interesse esportivo: black bass, pike e espécies introduzidos pelo homem.
O outono chegou gelando Canela e proporcionando belos e curtos crepúsculos: lembranças do verão e prelúdios do inverno, que, segundo os antigos, vai ser de rachar. Já, no Hemisfério Norte, a primavera está descongelando a paisagem, o gelo das montanhas, os rios congelados, dando movimento às águas e esquentando os animais. A bicharada sai da toca. Os insetos aquáticos eclodem, reproduzem e voltam para depositar os ovos na água. As trutas aguardam ansiosas para comerem, enfurecidas, qualquer inseto que se atrapalhe na frente delas. E eu aguardo, ansioso também, pelas trutas.
Um velhinho desabafa em um monólogo de pensamentos, frases para o público interno, enquanto, com mãos trêmulas, mas, experientes, ata com dificuldade uma mosca ao fino tippet, no fim da linha de fly: “Agora, quase todos que amei e não compreendi na juventude estão mortos. Mas eu ainda os busco. Claro, agora eu sou muito velho para ser um bom pescador.
Faz algum tempo que tenho pensado em uma solução para este problemão. Mas nenhuma idéia me ocorria. Até que se aproximou a data da Primeira Etapa Desembarcada do Tour Carlos Henrique Iotti de Pesca Esportiva 2010, que teria por raia de prova um lago onde pesco há anos, com muitos peixes, mas muita vegetação submersa, basicamente constituída por um cobertor de algas filamentosas, um pesadelo para as iscas e um paraíso para os peixes, que se escondem confortavelmente para capturar suas presas. A dor ensina a gemer.
Pescadores de diversos lugares, com muitos sotaques, mas, que formam uma mesma tribo e falam uma mesma, e muito estranha, língua, se encontraram para ensinar e aprender sobre a pesca com mosca, pescar e brindar a amizade. No sábado, os açudes da fazenda Sonho Meu, em Canela, foram testemunhas de reencontros e encontros. Reconhecimentos. Pessoas que só se conheciam pela internet, conversando diariamente, há anos, tiveram oportunidade de se conhecerem pessoalmente, no III Encontro de Fly Fishing do Rio Grande do Sul.
Parecia mais um dia normal de pesca no litoral norte gaúcho. Iscas frescas. Peixes. Parceria. Tudo corria bem, parado e quieto. Até que coisas estranhas começaram a acontecer. Geralmente, dizemos que “hoje o mar está tocado de sul”, ou “tocado de norte”. Uma condição perdurável. Conforme a força ajusta-se o peso do chumbo ou altera-se a bitola da linha.
Todo barco deve ter um nome. Acho que li em Barbosa Lessa que segundo os nativos de nossa terra as coisas teriam que ter um nome para existir. Recentemente, antes que chegasse meu caiaque, fiquei pensando em um nome. Que trouxesse sorte. Os marujos dizem que o nome já traz o destino de um barco. E nome não se troca, dá azar. Passaram uns dias e me ocorreu o nome para meu caiaque amarelo. Joker. Para dar mais sorte ainda, bolei um brasão também, uma coroa de coringa, com borlas e guizos. Logo, vi que para um pescador silencioso, o caiaque é o que são as assas para um pássaro, a própria liberdade: poder acessar o inacessível.
Sobre as horas que se seguiram Hackbart noticiou: “Não há na memória histórica do estado... uma noite de tantas e devastadoras tempestades... Em poucas horas diversos tornados tocaram terra em uma dezena de cidades gaúchas. O resultado foi catastrófico...” Acredito que a angustia daquele homem, naquele momento, fazia-o pensar em como estavam as coisas lá fora. Galhos voando, batendo contra os vidros do veículo.
Há 4 mil anos atrás, os povos que habitavam o Círculo Polar Ártico inventaram uma embarcação leve e ágil construída com as peles de mamíferos, esticadas e costuradas, sobre uma estrutura de ossos e madeiras, com impermeabilização de gordura de baleia. A embarcação era ideal para a caça porque era furtiva, permitindo uma aproximação silenciosa. O “bote do caçador”, ou “qajaq”, na línguda dos inuítes, traduzido para o inglês ficou “Kayak” que ao traduzir ao português fica caiaque. A inovação silenciosa que deixou o caçador ártico mais eficiente, quatro milênios depois, vem deixar o pescador esportivo mais ágil e competente, pois se vale do conceito da aproximação furtiva, para chegar mais invisível e silenciosamente aos peixes.
Geralmente as moscas nascem da observação da natureza associada às pesquisas de campo e ao aperfeiçoamento na morsa. Mas algumas podem ser aperfeiçoadas ao extremo máximo da eficiência, tornado-as infalíveis. Este é o caso de um “popper”, que tornou-se extremamente técnico e sofisticado e conseguiu atingir a perfeição.
Calor nos Campos de Cima da Serra. Na mente um refrão do Alemão Ronaldo: "dias de sol e sem perigo...". Um lagarto sai correndo. O vapor se ergue das poças de água da estradinha de pedras. A Toyota pára à sombra e continua sacudindo uns instantes, como querendo se acalmar. O mundo parado. Nem uma brisa nem um ventinho, para abanar a fumaça do cachimbo, que subia reto como uma linha de pandorga para encontrar os urubus voando em círculos, contra um céu sem nuvens, a grande altitude, acima de nossas cabeças, esperando por nossas carcaças, que secariam e cairiam desidratadas.
A poeira branca, como o talco, me distraia com as pegadas impressas, de homens, coisas e animais, algumas rápidas, outras arrastadas, formavam desenhos que contavam histórias. Outras não diziam nada. Algumas pessoas se arrastam pela estrada da vida. Chegara a uma ponte. Uma ponte velha de madeira esburacada e alta. Tábuas grossas e firmes. A encruzilhada com o rio Caunahue.
Imagine a cena: ao abrir a caixa de iscas artificiais, tu chamas pelo nome e tua isca elegida atende, sai de um canto escuro caminhando como um caranguejo e se apresenta para o serviço. Uma isca-robô que pode procurar os lugares mais escuros, as tocas, a sombra nas estruturas, fugir de peixes menores e se deixa atacar apenas pelos grandes predadores carnívoros, além, ela consegue desviar de obstáculos para não ficar presa.
O Dourado reúne todas as qualidades que busca um pescador esportivo. Idolatrado por sua esportividade, é um predador por excelência com um alto nível de agressão e combatividade, grande beleza e tamanho monstruoso, de quebra, apresenta um nível de inteligência superior aos demais peixes. Um animal emblemático na pesca e exclusivo da América do Sul. Existem apenas quatro espécies no gênero Salminus ssp., entre eles a tabarana, o Dourado do São Francisco e o Salminus maxillosus, o nosso alvo por excelência.
Os dourados ferviam na inóspita baia de Itasiri. Em vários pontos podíamos vê-los pular. A correnteza forte carregava muita comida para dentro do redemoinho colossal. E, seguidamente, um dourado pulava dando bocadas na superfície, bem a minha frente. Provavelmente atacando os sávalos, que se perdiam nos dentes afiados do rei do rio.
Sentados na plateia de duas cadeiras, de costas para a sala de projeção, olhando a imensa tela multidimensional, acompanhávamos o buquê que procedia da taça de vinho e começava a se desdobrar complexamente. O projetor era uma fogueira e por tela tínhamos a noite, que se estendia além das árvores, além da ilha, além do rio e além das estrelas, em todas as direções, até uma lonjura sem fim.
Salvo das feras! E Feliz por administrar uma dose de líquido de arrefecimento direto na goela do radiador, acompanhava a paisagem exuberante passar rapidamente, com o vento aplacando o mormaço infernal daquela mesopotâmia sul-americana. A proa da lancha apontava para o acampamento que deixamos abandonado naquele ermo tranquilo. Claro, sem imaginar que uma manada havia passado em tropel por lá.
Freqüentemente recebo intercambistas ou peregrinos vindos de muitos lugares, para conhecerem a pesca em nossa comarca turística. Rapidamente, organizo uma “Expedição de Pesca” para uma fazenda particular que possua farta pesca e acesso restrito. Invariavelmente, os visitantes ficam impressionados com a qualidade de nossa pesca esportiva e o charme de viver em meio a um “faroeste climático”, enfrentando muito frio e umidade, às vezes com um toque de sol, como uma flambada de conhaque em um sorvete.
Um pantanal. Um labirinto aquático de canais dinâmicos, que se movem ao sabor dos ventos e do afluxo de água, obstruídos ou liberados pelos camalotes, uma vegetação boiadeira típica daquele ambiente. Olhando o horizonte, vêem-se algumas poucas ilhas com árvores, mas no geral o cenário lembra um grande campo verde infinito. Um campo flutuante. Mas visto de cima, deve lembrar uma Veneza verde, selvagem. A Veneza Selvagem. Os milhares de canais variam de dimensões, alguns largos com até 10 m de largura, outros com apenas 1 m, com uma profundidade de até 6 m. Águas limpas e corredeiras. Estamos nos “Esteros del Isoró”, ao Sul de Goya, na província de Corrientes, Argentina. O local é uma reserva biológica, onde a pesca com iscas artificiais ou moscas e o pesque e solte são práticas obrigatórias e bem fiscalizadas por um guarda fauna linha dura.
A AGAPIA é a responsável pela organização do Campeonato Gaúcho com Iscas Artificiais que teve seu encerramento sábado passado, 14 de novembro de 2009, com um jantar, em Caxias do Sul, que anualmente é a grande festa da pesca. E para lá rumamos em caravana com nossa pequena, porém eficiente, equipe de pesca.
Tenho fascínio por faróis e estávamos acantonados ao lado do maior. O farol do Albardão. Nossa base era dentro de um contêiner que havíamos confiscado de um exército de centenas de sapos, após epopeica batalha. Poucos metros nos separavam da enorme coluna pintada de branco com losangos pretos, ou vice versa, encimada por um capitel: o mais alto farol da costa atlântica brasileira e o mais antigo do estado. Em realidade, este ano comemorou-se sua fundação em 03 de maio de 1909, quando era, originalmente, uma torre de aço. Atualmente, em alvenaria, com 44 metros de altura é uma bela construção de 1949.
A Região das Hortênsias, além das flores azuis trazidas por Oscar Knorr possui o Black Bass, que igualmente convida muitas pessoas a desfrutarem de nosso clima e paisagem inigualáveis. Freqüentemente recebo intercambistas ou peregrinos vindos de muitos lugares, para conhecerem a pesca em nossa comarca turística. Rapidamente, organizo uma “Expedição de Pesca” para uma fazenda particular que possua farta pesca e acesso restrito. Invariavelmente, os visitantes ficam impressionados com a qualidade de nossa pesca esportiva e o charme de viver em meio a um “faroeste climático”, enfrentando muito frio e umidade, às vezes com um toque de sol, como uma flambada de conhaque em um sorvete. O Eduardo do site Fly Fishing Brasil veio de longe. Equipado para pescar. Em seguida o Igor, parceiro de muitas aventuras haliêuticas, aparece para nos acompanhar. Nem vimos o tempo feio. Uma ventania nos acolheu de braços abertos. As árvores deitavam sob o jugo do vento, galhos quebravam e o aramado do potreiro assoviava uma melodia melancólica, sombria talvez.
Se você pudesse escolher, onde estaria quando passasse um temporal? Na do dia 2 de dezembro eu estava no meio do rio Silveira em São José dos Ausentes. Foi diferente, divertido e – por instantes- assustador. Vamos aos fatos: A manhã do dia 2 surgiu esplendorosa. Céu de brigadiano, como se diz na Vila Seca. Dia especial para pescar, como se existisse um dia que não é especial. Abasteci a Nuvem Branca, carreguei com a equipagem essencial e parti para mais uma aventura ausentina. Ausente do trabalho, da rotina e do celular. YES!
O Spinner é uma das primeiras iscas artificiais a serem desenvolvidas. Seu funcionamento tem como objetivo imitar insetos, crustáceos ou pequenos peixes nadando, fugindo ou morrendo. Tem por caraterística ser composto por uma única colher, ou lâmina, giratória, sobre um eixo com um anzol ou garateia na parte posterior, causando muita vibração e emitindo reflexos muito atrativos aos peixes predadores carnívoros. Possui cores e modelos variados, com rabo de pelos de esquilo, veado ou lobo, ou ainda penas ou trailer de silicone. Existem inúmeros modelos com lâminas e pesos diferentes que atingem diferentes profundidades e que giram a velocidades diferentes.
Estivemos participando do Pesca e Companhia Trade Show 2009, durante esta última semana. Trata-se do maior salão de pesca do Brasil, dirigido aos lojistas e com olhos às novidades. Foram três dias de intensas negociações. Ocorreu em São Paulo, no centro de eventos Frei Caneca e contou com 50 stands de expositores, representando centenas de marcas, e mais de 3500 visitantes, durante três dias, nos quais fechamos um grande volume de negócios. O panorama da feira mostrou que o mercado está embasado na pesca com iscas artificiais e no turismo de pesca, mas as fábricas investem em modernidades no esporte em todas as modalidades, do surfcasting ao flyfishing, dando ferramentas de alta qualidade aos pescadores brasileiros.
Era um sábado, dia 24 de outubro e somente poderiam ser utilizadas iscas artificias, em qualquer modalidade. Cada competidor poderia medir cinco dos peixes que capturasse. Trocar de box era permitido, desde que se mantivesse a distância regulamentar de 5 metros. Todos os peixes marcados deveriam ser soltos em condições de sobrevivência. Essas eram as principais regras da I Prova Loja de Pesca - Ninho da Coruja, comemorando o primeiro ano de loja neste excelente espaço que o Rudimar Gross proporcionou para a pesca esportiva gaúcha.
“Navegar é preciso, viver não é preciso”. Disse Pompeu, lembrou Fernando Pessoa e exaltou Ulysses Guimarães. Uma frase curiosa, de duplo sentido, pode significar, por exemplo, “Navegar é exato, calculado, viver é incerto”. Precisão. Desbravar, aventurar, pescar... viajar é preciso. Exige muita organização e premeditação. Planos. Uma viagem bem orquestrada funciona como um relógio suíço. O profeta Júlio Verne, em “A volta ao mundo em oitenta dias”, preconizava o cálculo para o sucesso de uma viagem. Como viajar bem e barato? Com método. Tanto mais, caso o objetivo da viagem for um safári de pesca.
Fomos ao Uruguai esta semana. Bem de encontro ao temporal, do jeito que os “pandorgas” gostam. Caímos na estrada e tocou o telefone. Era o Armando, um amigo uruguaio, de longa data, grande pescador de competição, radicado no Brasil. Pedi-lhe umas dicas para pescar em sua terra natal. Perguntei o que pegaríamos desta vez. Respondeu, meio sem jeito, que estávamos na entressafra.
Pescar onde os mestres se consagraram, resume este lugar mágico. Geograficamente se compreende por Boca del Chimehuin a extensão de 500 m de ambas margens do Lago Huechulafquen até a Garganta del Diablo. E se divide em dois tramos: a) Boca arriba,desde o lago até a ponte; e b) Boca abajo, da ponte à Garganta del Diablo.
Puerto Pirámides. Península Valdés. Um dos mais belos lugares do mundo. Lá os camarões são gigantes, os cozinheiros generosos, os restaurantes pequenos, as noites geladíssimas e os dias torrencialmente insuportáveis. Era novembro, começava a esquentar um pouco no sul do mundo e após ler Jack Kerouac por meses a fio, coloquei o pé na estrada de novo: Hit the Road Jack!
O sangue ao sol assumia a cor de um Carmenèrè, é um quase marrom, mas muito mais denso. Círculos de sangue pingando no chão branco. E aquele sol implacável contrastando tudo sem piedade, revelando que o temível acidente, enfim aconteceu. Não ouvi um grito, um aí, um gemido, nada. Tudo parou. Senti um golpe agudo na cabeça. O silêncio e o sangue no chão.
Em Paso de la Patria, há uma série de carros antigos abandonados sobre uma barranca, entre eles se vê um antigo Ford modelo A, um exótico carro do Batman e um furgão de leiteiro dos anos 40, todos enferrujados e patinados pelo tempo. Ao fundo, um ônibus escolar americano domina o cenário. Me conta o guia Emílio que esta frota fantasma pertencia a um circo que acampara por ali,
A equipe LOJA DE PESCA de Canela se destacou na 2ª Etapa da Categoria Desembarcada do Campeonato Gaúcho de Pesca com Iscas Artificiais 2009 – AGAPIA, realizada 26 de abril em Bom Jesus, na Fazenda Gralha Azul. A prova foi de extrema dificuldade, tratando-se de um lago onde sempre se conseguia belos resultados pela sua piscosidade e quantidade de peixes. Apenas 4 participantes conseguiram completar a cota de 7 peixes, onde o tamanho foi bastante reduzido, com a média de 24,5cm e um total de 163 peixes apresentados para a medição. Mesmo com toda a dificuldade a prova foi de alto nível, exigindo a utilização de todas as técnicas disponíveis para conseguir pontuar nessa etapa. Na equipe canelense participou Vicente Fritsch, Tiago Closs De Marchi e Gustavo Closs De Marchi, que obteve a maior peça da prova, muito acima da média, um Black Bass de 44,7 cm, trazendo para Canela o troféu de Maior Peixe! (Jornal de Canela)
Tá nervoso vá pescar! Quem inventou este dito popular nunca assistiu um campeonato de pesca. É um evento muito dinâmico, que nada tem a ver com a paciência que transmite o estereótipo da pesca. Movimentos rápidos, correria, atrapalhações, nervosismo e constantes trocas de iscas agitam o cenário. Vê-se a energia nos pescadores que tentam criar a maior cobertura de área possível com suas iscas, lançando mais longe ou trabalhando em diversas alturas da coluna de água...
Na casa de um amigo me deparei com uma foto que me impressionou. Na imagem estavam retratados meu amigo Beto Costa e um peixe descomunal, a Miraguaia. Imediatamente lembrei quando briguei com um desses monstros marinhos.
A pescaria da miraguaia no litoral do Rio Grande do Sul é empreendida basicamente em naufrágios, nos cascos soçobrados. O litoral sul gaúcho é um grande cemitério de navios, com diversos encalhados ou naufragados perto da praia. Desde pequeno as histórias destes barcos me fascinaram, até por conhecer muitos deles. Nestes “ferros” as miraguaias buscam mexilhões, siris e caranguejos.
Os estagiários de meu mano, certa feita, foram buscar um colega para acampar, mas o camarada embarcou sem nada e lhe perguntaram pela sua bagagem, ao que o outro respondeu misterioso: estou levando o baralho! Não tenho tanta sorte e dessa vez pensei nos detalhes. Nosso acampamento, sem uma gota de modéstia, estava suntuoso. Soberbo. Olhando parecia que estávamos em um organizadíssimo safári e não em uma praia deserta, sob as únicas árvores que encontramos naquele tramo do rio Paraná, em Bela Vista, província de Corrientes, na Argentina.
Entardecia quente em Canela. E a turma veio chegando pro mate na calçada. Sentados na avenida logo surgiu a ideia de uma pesca de lambaris, enquanto discutíamos a violência dos ataques desses pequenos monstros aquáticos. A graça é a briga, a chuleada! E não tem outro como o lambari para ludibriar o pescador. Este pequeno predador que ataca tudo que surja em seu caminho é o responsável pela iniciação de muitos pescadores. Necessidade curricular no curso preparatório da pesca.
Daqui a pouco liga o Radicci de volta, da rádio, ao vivo. Me pega com o pé no estribo. E começando bem, diz ele: “Me conta das novidades, o jeep tá na oficina de novo? Ah, ta! E tà no Nando? Ah! No Coquinho... No mínimo tu foi empurrando até lá... Tá Bene!“ E veio o convite-intimação: “Non tem choro, amanhã tu me aspeta! Vomo pescá!” Só que “amanhã” eu não poderia. Explica!!!
Estávamos acampados havia dias. Nosso acampamento era praticamente cigano, tinha de tudo. Bem pertinho do rio, no único refúgio vegetal em quilômetros. Era realmente muito bem bolado. A casa de um zíngaro! Lampiões nas árvores iluminavam o trajeto entre a área social e a área das barracas. Tínhamos mesa, cadeiras, geladeira, as barracas em local alto e drenado e por fim, o mais importante, a parilla. A churrasqueira crioula é para o gaúcho um luxo importante. A nossa era apenas uma grelha mal apoiada sobre toras. Mas uma grelha de um metro de largura por outro e tanto de comprimento e melhor: inox! Um exagero.
Os pequenos riachos que se formam na Serra Geral gaúcha podem nos guardar grandes surpresas. Rios de montanha. Entre as pedras roladas de basalto, nos poços e corredeiras podemos encontrar uma das mais esportivas espécies nativas de nosso Estado, a famosa joaninha.
No final da década de 90, meio sem querer, em uma pescaria no rio Caí, descobri que as joaninhas pegavam nas iscas artificiais. Era primavera, fazia frio e sol. Pescávamos em um lugar que possuía uma grande corredeira após um poço fundo, um dos ambientes favoritos dos peixes predadores carnívoros.
Voltei a pouco de uma semana no Uruguai em mais uma aventura com o amigo Iotti. “Os Pandorgas” estavam à solta novamente! Desta feita buscávamos as corvinas, burriquetes e miraguaias, peixes enormes! Forramos a camionete com tudo que era necessário e nos mandamos em um domingo de tarde.
Onze horas depois, chegamos com sede de vinho e montamos nosso acampamento em nosso QG de Punta del Este. Amanhecemos com um lauto café da manhã preparado por nossos anfitriões, com gajetitas, manteiga e iguarias de fiambreria da Banda Oriental.
Certa feita Lee Wulff, quando lhe pediam para explicar a sensação de pescar com moscas, ele respondeu: "Poderia você me descrever o sabor de uma maçã? Isto seria impossível, mas a solução seria experimentá-la".
Cada dia tinha um turno de 12 ou mais horas de pesca. Havíamos feito duas grandes flotadas pelo rio Calcurrupe e atravessado a fronteira com a Argentina pescando e procurando rios com condições favoráveis. No entanto o degelo estava muito acentuado naquele verão.
Comemos o churrasco como café da manhã, temperado a sal e pimenta e fomos dormir. Precisávamos recobrar as energias, pois a empreitada era arriscada: a missão era pescarmos uma truta, em pleno verão gaúcho.
O Iotti me liga, de manhã cedo e diz assim: primeiro ouve o plano, tu vais buscar a chave nova das porteiras, eu vou comprar a carne e o vinho... Anoiteceu, eu estava com o jeep carregado e com a chave no bolso, propus pro Iotti de jantarmos juntos e depois sairmos naquela noite mesmo, para ganharmos tempo.
Existe sempre um contraste entre frio e calor no verão andino. Uma luta silenciosa, onde o território do gelo, no inverno, é dominado pelo verão do sol, mas quando a noite cai, o frio, que se reorganiza em grupos de guerrilha, invade novamente o território aquecido.
Havia muita estrada pela frente ainda e o dia estava só começando, lindo e azul! Seguimos viajando e pescando em ótimos pools, cruzando pontes, desfiladeiros, paisagens únicas andinas, observando o cambiar de vegetação (os “sauces” tomando a margem, repletos de gusanos), os sítios arqueológicos, a pintura rupestre, a terra dos dinossauros. Cruzamos a cidade de Aluminé, acompanhados por um condor andino, passamos por guanacos, lebres e cervos até nosso destino. E depois de um baita dia de pesca, lavrei no Diário de Bordo da expedição: “12.II.2008 1:00h am, Junin de los Andes! Assando “ojos” de paleta de cordero em ervas de provence, enquanto preparo um arroz, puxando no azeite de oliva a cebola e o bacon. O vinho é um malbec, fantástico. Acampamos na margem direta do Chimehuin! Montamos “a casa”! Vamos ficar.”
Após sairmos de nossa base, onde fomos apanhados pelo amigo Tulio, em sua lancha, fomos alertados sobre a atividade de dourados na margem, junto a uma chata encalhada. Paramos e nosso guia segurava o barco no motor contra a correnteza forte do rio Paraná. Dourados a vista, a uns 40 metros, na superestrutura de metal enferrujado (um belo contraste com o azul do céu e o branco das areias).
Em Zapala, novas mudanças de rumo: Villa Pehuenia, “só” uns 150 km em estrada de “ripio”, quase nada para quem estava a três dias na estrada. Havíamos cruzado o Uruguai e boa parte da Argentina, dormido no deserto, com sede, calor e frio, mas rumo às trutas patagônicas dos Andes. Expedição, que durou um mês, onde participamos eu e a Fani Gobbi à bordo do Gary Caracol, um prodigioso celta!
Por David Jones! Essa foi uma aventura que tangeu os limites com o desconhecido. Não aquele que chamamos de fulano... Estou chegando agora de São José dos Ausentes, “terra de bravos”, onde eu e o Iotti protagonizamos mais uma intrépida pescaria-incêndio, em um acampamento muito legal, numa noite gelada de lua cheia.