O dia da revelação Imprimir E-mail
Por Gustavo De Marchi   

Pescadores de diversos lugares, com muitos sotaques, mas, que formam uma mesma tribo e falam uma mesma, e muito estranha, língua, se encontraram para ensinar e aprender sobre a pesca com mosca, pescar e brindar a amizade. No sábado, os açudes da fazenda Sonho Meu, em Canela, foram testemunhas de reencontros e encontros. Reconhecimentos. Pessoas que só se conheciam pela internet, conversando diariamente, há anos, tiveram oportunidade de se conhecerem pessoalmente, no III Encontro de Fly Fishing do Rio Grande do Sul.
Durante o dia todo, além de pescar, e ver as linhas “chicoteando o ar”, curiosos com a modalidade tiveram a oportunidade de ver de perto as famosas moscas, confeccionadas com penas, pêlos e materiais sintéticos que imitam insetos. Iscas feitas à mão pelos próprios pescadores, através da arte de atar os materiais sobre anzóis. Um artesanato bárbaro. Mas, não difícil. E assim se foi o dia com verdadeiras aulas a céu aberto. Ao anoitecer, se aproximou um dos grandes momentos do encontro: o esperado acampamento agreste. A área escolhida, plana e limpa, em baixo de um belo bosque de araucárias, se mostrou limitada pela escuridão absoluta. Rapidamente, ao redor da fogueira se posicionaram os personagens da festa. Um trio tocava e cantava velhas canções, ritmados por um incansável bongô. Aninharam-se próximo ao fogo algumas costelas de ovelha, uma paleta, um “costelão de pé” e as famosas lingüiças Zacarias. Tudo assado como a bula manda. A turma trouxe a filharada, que corria solta pelo mato, tentando se perder, com suas lanternas, como vaga-lumes psicodélicos. Ouviram-se os apitos chamarem, eram as espumantes estourando e as rolhas sendo removidas de garrafas de vinhos. Taças batendo. Algumas quebrando, pois não havia luz, nem lua, apenas as estrelas e o reflexo das brasas. Umas dez barracas foram montadas. Uns tantos convidados, que vieram apenas para jantar, foram se aquerenciando. Não queriam ir embora. Afinal, estava bom demais. E se discutiu o universo das moscas, da pesca, dos rios, dos insetos, dos peixes pegos ou perdidos e dos acampamentos. O Iotti deu um show à parte com histórias inesquecíveis e hilariantes de grandes e boas pescarias, que ressuscitaram outras e outras e outras, e cada um tinha uma mais divertida ou louca. Histórias de pescador. As garrafas foram se amontoando lentamente ao pé de uma árvore, a adega morta, para evitar acidentes. As costelas foram sendo cortadas. Lingüiças picadas. Marshmallow nas brasas. Crianças e adultos se divertindo e isso revelou muito do clima mosqueiro. Ao fim, tudo estava limpo como quando começou. Ao alvorecer, após o sono embalado pela serenata orquestrada pela fauna de insetos noturnos, parecia que nada havia acontecido. Organizadíssimo.  
Finalmente chegou a hora esperada. Os olhos da pesca com mosca estavam concentrados na tela de projeção. Desvendou-se o mistério: onde seria a nova Meca da pesca de trutas? Como e por que surgiu? O nome “Rancho de Pesca” respondeu a todas as dúvidas, aos poucos, dando cara e conceito a ansiedade coletiva. Passo a passo, revelou um novo paraíso. Despertou cobiça entre todos os presentes. Trutas selvagens que nasceram, são pescadas e soltas e irão deixar seus descendentes no rio. Imagens de peixes fortes, saudáveis e avermelhados pela fartura de alimento e qualidade de água. Olhares hipnotizados. Na manhã de domingo mais um marco histórico na pesca esportiva foi firmado. Um futuro promissor de pescarias memoráveis com base no primeiro “Rancho de Pesca”, o Refúgio do Lago. A proposta, segundo o idealizador é a união três elementos: pesca em rios, pousada e apoio à pesca por equipe especializada em logística. O conceito é mais amplo e promete a instalação de diversos ranchos, para que no futuro toda a região de fronteira SC-RS se torne nossa "Patagônia", com inúmeros pontos de pesca públicos e privados, com preços acessíveis e abundância de peixes.
Sem dúvidas, este encontro deixará saudades a quem participou. Foi positivo tanto no aspecto humano, na solidificação das amizades e parcerias, quanto na troca de experiências, como o atado de moscas, que recebeu uma ênfase especial, uma vez que é essencial ao mosqueiro completo. Aos que não puderam participar, fica o convite para estarem presentes no próximo. Pesque e solte.

 
< Anterior   Próximo >
Capa
By D-zone