Jaquirana Rig, em breve nos melhores lagos Imprimir E-mail
Por Gustavo De Marchi   

O termo “rig”, aplicado à pesca, vem do inglês e define o conceito de “montagem”, que envolve a aplicação de nós, anzóis, chumbos, miçangas, giradores, grampos, engates-rápidos aparelhando as iscas para aumentar a eficiência ou versatilidade. As primeiras montagens recebiam o nome dos lugares e lagos onde eram concebidas e mais freqüentemente utilizadas. Mais recentemente são batizadas pelo que lembram ou pela forma como trabalham. Atualmente, são inúmeras as montagens conhecidas para a pesca do black bass, algumas extremamente bem adaptadas para a serra gaúcha, outras que não se encaixam aos nossos lagos, em função do clima, geografia ou comportamento dos peixes. De todas as formas, nossos ambientes serranos de pesca são um tanto singulares e existem circunstâncias onde nenhuma montagem funciona com perfeição. Em parte por se tratarem de lagos artificiais geralmente rasos e com densa vegetação. Esta vegetação pode ser tanto superficial como submersa. Nestes emaranhados da flora começamos a ter problemas com as montagens clássicas, pois a vegetação pode ser tão compacta que adere às iscas anulando o trabalho, transformando o lazer em estresse.
Faz algum tempo que tenho pensado em uma solução para este problemão. Mas nenhuma idéia me ocorria. Até que se aproximou a data da Primeira Etapa Desembarcada do Tour Carlos Henrique Iotti de Pesca Esportiva 2010, que teria por raia de prova um lago onde pesco há anos, com muitos peixes, mas muita vegetação submersa, basicamente constituída por um cobertor de algas filamentosas, um pesadelo para as iscas e um paraíso para os peixes, que se escondem confortavelmente para capturar suas presas. A dor ensina a gemer.
Como pescar lá? Lembrei que há uma montagem no fly para situações específicas, em rios, onde se utiliza uma mosca seca sustentando uma ninfa, duas moscas, portanto, onde a primeira, de superfície, suspende e limita a profundidade de trabalho da segunda, pesada, presa por um segundo tippet. Regulagem de altura e, de quebra, um indicador de piques, como uma bóia. Conceito antiguíssimo da pesca do lambari de sanga, o “dry-dropper rig”, ou algo assim, para os mosqueiros, mas, por sinal, que não tinha nada a ver com o tipo de pesca do local da prova.
Lembrei-me deste conceito, enquanto caducava pela noite turva dos pensamentos atrás de uma boa idéia, e tentei traduzi-lo para a pesca com iscas artificiais. O resultado foi assustador. Pela feiúra da coisa. Ficou algo assim: utilizaria uma popper, removendo a garatéia traseira, atando com um forte nó de sangue no anel remanescente um líder de fluorcarbono, material que afunda, e neste um anzol EWG, a uma distância regulável, de acordo com a profundidade da vegetação. No anzol instalei uma minhoca de profundidade. Com isso, a minhoca trabalharia em profundidade limitada, podendo ser arrastada sobre a vegetação, sem ficar presa, mantendo a posição de trabalho, para fazer um “hula-hula” bem lento e atrativo. Escolhi a popper para utilizar o trabalho dela também, com toques, promovendo um barulho na superfície, avisando o peixe que o rango estava sendo servido. A popper, boiando na superfície serviria ainda como um “strike indicator”, um indicador de pique. Uma obra de arte, genial. Em poucos minutos aparelhei a montagem e me mandei para testar.
O teste revelou que a engenhoca funcionava. E bem! Peguei vários peixes na minhoca, não na popper, o resultado esperado. No entanto, havia um problema. O aparato voava muito mal, uma catástrofe barulhenta! O lançamento era um desespero, parava no ar, trocava de direção e torcia a linha. Tinha vontade própria. Um fenômeno incorrigível, aeronáutico, mas, que pegava peixes.
No dia seguinte, em Cambará, a prova. Ventos horríveis de muitos quilômetros por hora sopravam contra mim, para piorar os lançamentos, que se tornaram imprevisíveis com iscas volumosas. A prova estava terrível, os peixes não apareciam. E as iscas trancando na vegetação. Eu guardei meu trunfo para uma emergência. Na verdade, por vergonha de decolar aquela nave. Mas, em dado momento, não houve outro remédio. Lancei mão à nova montagem. E ao cruzar os ares, fui avisando, Jaquirana Air pedindo permissão para aterrissagem. Pláf! Caiu como um gato na água. Salvou-me de um fiasco maior, me rendendo os peixes que precisava para ficar na média da prova. Montagem tem que ter nome. A mais moderna e fictícia companhia de aviação gaúcha recebe uma homenagem justa: Jaquirana Rig. Pesque e solte!

 
Próximo >
Capa
By D-zone